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title: Queima das folhas
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url: "https://agrococo.com.br/docs/queima-das-folhas/"
updated: "2023-11-22"
category: Doenças
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  - Doenças do Coqueiro
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# Queima das folhas

#### Autores

[Dulce Regina Nunes Warwick](https://www.embrapa.br/equipe/-/empregado/59745/dulce-regina-nunes-warwick) - Embrapa Tabuleiros Costeiros

[Viviane Talamini](https://www.embrapa.br/equipe/-/empregado/333257/viviane-talamini) - Embrapa Tabuleiros Costeiros

A queima-das-folhas do coqueiro provoca o ressecamento precoce das folhas basais da planta. Em 1975, foi detectada pela primeira vez no Estado de Sergipe, no Município de Estância, com a rápida expansão da epidemia nos anos seguintes, nos municípios vizinhos. No ano de 1987, a queima-das-folhas foi encontrada nas plantações industriais dos estados do Pará e Paraíba, causando muita preocupação para os produtores. Atualmente, a doença encontra-se disseminada em vários estados brasileiros e, em geral, está sempre associada à presença de lixa-grande. A doença é originária do Brasil, e ocorre de forma epidêmica em Alagoas, Bahia, Paraíba, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe. Em outros países, é citada apenas na Guiana Francesa .
 

**Agente causal**

A queima-das-folhas é causada pelo fungo *Botryosphaeria cocogena* Subileau, sendo *Lasiodiplodia* (*Botryodiplodia*) *theobromae* Pat. a forma imperfeita do fungo.

**Sintomas**

A doença manifesta-se pelo empardecimento, ressecamento e morte prematura das folhas do coqueiro. Nos folíolos, os sintomas são caracterizados por manchas com coloração marrom-avermelhada, que se localizam na extremidade/margem ou no meio dos folíolos, desenvolvendo-se em direção à ráquis (Figura 1 , 2).

      Foto Dulce Warwick, 2010                                                  Foto Dulce Warwick, 2010

![ ](https://www.embrapa.br/documents/58057223/66851947/Figura4VivianeDoencas_000gnbxskq902wx5ok0edacxlc98fdal.jpg/610c7b73-ba94-c42d-57bc-7452a52e2e9b?t=1638975738792)

![ ](https://www.embrapa.br/documents/58057223/66851947/Figura5VivianeDoencas_000gnbxswy402wx5ok0edacxlbmskz2m.jpg/cf6d5c31-c185-f926-5874-1ab65804c475?t=1638975738970)

    **Figura 1:** Coqueiral da variedade gigante                   **Figura 2:** Queima-das-folhas em       atacado por queima-das-folhas.                                  coqueiro anão.

Porém, frequentemente, os sintomas desenvolvem-se a partir da extremidade da folha, provocando no início, lesões em forma de “V” (Figura 3).

    Foto Dulce Warwick, 2010

![ ](https://www.embrapa.br/documents/58057223/66851947/Figura6VivianeDoencas_000gnbxyq4z02wx5ok0edacxlge08b5n.jpg/a4978a23-6332-fbff-2495-bb37088f70f1?t=1638975739194)

    **Figura 3:** Lesões em forma de “V”.

As lesões provocadas por *Botryosphaeria* têm início, na maioria das vezes, nos estromas de lixa-grande ou pequena e, com menos frequência, nos locais onde ocorre a quebra da ráquis, provocada principalmente por déficit hídrico.

**Danos e distúrbios fisiológicos**

As inoculações artificiais com suspensão de conídios não resultaram no aparecimento de sintomas da doença. Somente com o ferimento da folha e a colocação de micélio é que os sintomas foram reproduzidos. A constatação de que *B. cocogen*a é um parasita facultativo, que necessita de um ferimento para causar necrose no tecido foliar, também já foi relatada por outros autores, em outros hospedeiros. No caso do coqueiro, a presença da queima-das-folhas é sempre precedida por um ataque da lixa-pequena, no caso do Pará, ou de ambas, como é o que se verifica no Nordeste e Sudeste do país .

As lixas têm a habilidade de parasitar o tecido vegetal sem ferimento, e devem proporcionar uma abertura nos tecidos vegetais para a invasão posterior de *B. cocogena*. Portanto, medidas de controle das lixas necessariamente terão efeito sobre a queima-das-folhas.

Com a morte prematura das folhas basais, os cachos ficam pendurados sem o apoio dessas folhas e, consequentemente, ocorre a queda de frutos antes de completarem a maturação. A produtividade do coqueiro atacado pela queima-das-folhas tem, portanto, um prejuízo direto com a diminuição da produção de frutos, e um indireto, com redução da área foliar. Os pesquisadores demonstraram que a liberação de esporos é estimulada quando a pluviosidade atinge no mínimo 25 mm.

**Controle**

O controle da doença é realizado com a remoção das folhas atacadas e a aplicação de fungicidas. A pulverização pode ser feita em qualquer época do ano, durante 6 a 8 vezes, com 15 dias de intervalo.

Nenhuma das variedades e híbridos testados apresentou uma resistência genética satisfatória. Entre as variedades de coqueiro Anão avaliadas, o Anão verde de jiqui foi o menos atacado enquanto que os anões vermelhos foram os mais susceptíveis. O híbrido PB 141, cruzamento do Anão verde com o gigante do oeste africano, foi o mais tolerante à queima-das-folhas, comparado aos híbridos importados da África . Em outro ensaio, comparando-se a reação do germoplasma de gigante, concluiu-se que o gigante da Polinésia foi superior ao gigante do Brasil e o do oeste africano.

**FONTE: EMBRAPA**
